Nunca confie em estranhos

Estamos engarrafados.
Um rapaz oferece aos passageiros do ônibus suas pipocas, pela janela, do lado de fora.
De dentro, uma senhora aparentemente com fome, uma vez que chama o rapaz.
Pede-lhe uma pipoca e o ônibus, que estava parado, anda um pouco.
O rapaz deve ter corrido, já que o alcança em alguns segundos.
"Doce, salgada ou de chocolate?"
"Salgada."
O rapaz lhe entrega uma pipoca e o ônibus anda mais um pouco. E ele corre mais um pouco e alcança o veículo.
A mulher o entrega uma cédula e o ônibus, mais uma vez, atrapalha a transação.
E, mais uma vez, o rapaz alcança o ônibus. Agora tem consigo o troco na mão.
Depois de um cordial agradecimento, a mulher joga as moedas na sua bolsa.
Confiar é engraçado. As pessoas estão o tempo todo tentando mostrar para si mesmas que são responsáveis o suficiente para não confiar em ninguém. Principalmente quando há dinheiro envolvido.
Mas as pessoas acabam, inconscientemente, confiando. Acreditando.
A mulher poderia, ao pegar a pipoca, ter fechado a janela e não pagar ao pobre ambulante.
Esse poderia ter pego o dinheiro e não devolver o troco.
Ele poderia ter passado o troco errado.
Ela poderia ter contado o dinheiro.
Estamos acostumados a pensar que "estranhos" sempre estão dispostos a fazer mal a todos e, pela definição, um estranho é qualquer um que você não conhece.
Somos educados a não confiar em todo mundo.
Ah, peraí! A pipoca está ótima e crocante...
A senhora poderia ter conferido a validade, mas não o fez.
Confiou outra vez.
Em um "estranho".