Existem alguns desejos que vem de dentro e acabam explodindo sobre a epiderme, através das glândulas sudoríparas.
Eis o drama:
De repente, você está em pé, no meio de uma festa, olhando aquele belo rapaz que você ousaria dizer ser a pessoa-feita-para-você.
É, existe um pequeno detalhe:
Você não pode o ter.
Você não é inferior ou algo assim.
Você só é do mesmo gênero que ele.
Você tem a plena convicção que é uma pessoa interessante e até atraente.
Mas o gênero é um problema.
Na verdade, o único.
O cara agora dança.
Com uma garota que você detesta.
Você chega até a querer ser ela.
Não tem nada de errado com você.
Você é alto, magro, moreno, culto, bom com números e bastante carismático.
Mas naquele momento você aceitaria trocar de vida com aquela menina, que não é nada além de um par de seios.
Você até chega a se sentir mal, amaldiçoa toda a família da pobre garota.
A culpa não é dela.
Nem do rapaz por não te olhar do jeito que você esperava.
A culpa é do gênero.