Então é nisso que se baseia a existência humana: a Espera.
Estamos sempre esperando por algo, pela hora do Tom e Jerry, pelo resultado daquela prova de história, pelo listão do vestibular, pelo e-mail avisando que você está contratado, pelas férias, pelo 13º salário, pela morte.
Enquanto esperamos, nos ocupamos de algumas outras coisinhas como viver. Mas o suprassumo da vida é esperar, fazer esperando retorno.
Alguém já deve ter escrito ou divagado três ou quatro frases sobre isso.
Eu não ESPERO ser o primeiro. A principal razão de escrever esses pensamentos acerca dessa experiência desgastante de viver é eu ter percebido essa nuance da vida agora, aos 17 anos. Nem sei o porquê. Veio-me a cuca que tudo que eu faço tem intuito principal de estar esperando por alguma coisa. Daí o leitor me vem com o ato de comprar palitos de fósforo no mercadinho e me pergunta onde tem espera nisso.
A ligação nem sempre é direta: fósforo dar-lhe-á o direito de cozinhar sua comida, que o mantém vivo o bastante para continuar aspirando a uma nova realização ou qualquer coisa que você fará amanhã de manhã (depois do café que foi esquentado fazendo uso de um dos palitos de fósforo daquela caixa que você comprou no mercadinho).
A espera não acaba.
Alguns até esperam que algo de muito bom -- ou muito ruim -- aconteça depois que a vida acaba. Não sabem o quão agoniante deve ser uma vida pós-morte, essa eterna, uma vez que não haverá um fim, ou, em outras palavras: não haverá nada para esperar.
Proponho humildemente que se mude o tão famoso ditado popular que conforta as pessoas em situações difíceis, principalmente de luto, que é o "Enquanto há vida, há esperança". Esses dizeres legendam a foto de um tio falecido em um porta retrato na casa de minha vó paterna. O design é horrível. A filha dele, quem fez, usou "a" ao invés de "há".
Enfim, isso não importa.
Mudem-no para: "Enquanto há vida, há espera". Retirem o "-nça", por favor.
Enquanto espero com veemência pela minha morte, ou menos, o fim desse ano, vou fazer uns amigos, me relacionar com as pessoas, ouvir música, fazer cooper (se der coragem, um dia)...
Viver, como dizem.