Um rapaz sentado na colina do tempo.
Ele não parece ligar muito.
É de uma calma mongeana.
A colina agora pode parecer alta para alguns, uma vez que à primeira vista, ele parece um alpinista nato. E sim, ele é. Ele deve ter asas ou algo assim.
As narinas sangram por causa da hipóxia que o ar rarefeito da colina lhe causa.
Eu não sei o que vim fazer aqui. Estou diante de uma foto dele no meu telefone.
A foto não tem nada demais, na verdade. Um amigo até me confirmou isso. Estou na madrugada de 23 de outubro de 2013 e não existe nenhum ponto de luz no quarto além do telefone. O ventilador está ligado (e nem fazendo calor está).
Encaro a foto por mais uns instantes enquanto o ventilador toca sua canção monotônica.
E o quarto, monocromática.
Guardo o telefone.
Meus olhos estão completamentos abertos.
No breu.
O rapaz da colina olha para mim e eu me envergonho um pouco. Na verdade, não foi pouco... Eu estou tremendo.
Ele deve ter voado até aqui com a ajuda do ventilador, só que acabo dormindo.
Algumas sensações estranhas me ocorrem. Elas entram e saem em fluxos equiparados.
Os vasos acabam recebendo mais sangue que o natural.
Força sobre área.
Aquela foto tem sim alguma coisa.
Minha tricúspide trabalha incessante.
Eu não sei lidar com essas coisas.
Eu ainda estou na base da colina.
E as sensações continuam.