De repente, dois homens que nem se conhecem se veem amigos.
"Ei, amigo, quanto é que tá essa camiseta?"
"Tá a quinze."
"Me vê uma."
Iniciadas sabe deus lá quando, as trocas comerciais desempenham um papel social muito importante: elas são capazes de aproximar pessoas que não tem nenhum vínculo afetivo. E, depois do pagamento, um cordial e automático "obrigado" e um "volte sempre", o vendedor e o comprador cortam qualquer relação existente. O comprador até volta se a mercadoria for boa. E o ciclo se repete quando o consumidor recomenda para seus amigos a grande novidade.
"Galera, descobri um lugar com umas camisetas bem legais..."
Mas o comércio que temos hoje não foi sempre tão estruturado assim.
Coisa de dois mil anos, já vemos referências sobre o comércio até na bíblia cristã. Jesus, em um trecho bastante conhecido, expulsa comerciantes do templo por estarem comercializando em um local divino.
As atividades comerciais, Jesus querendo ou não, foram se aperfeiçoando com o tempo. Porém, em alguns momentos entrou em declive. O que se vê, ao decorrer da história, são períodos de ascenção e de retrocesso das atividades comerciais. Seiscentos anos atrás e, nas grandes propriedades feudais, o máximo que tínhamos eram algumas trocas por meio de escambo. Nada muito sério.
Com o renascimento urbano (e consequentemente comercial), essas trocas passaram a ser mais frequentes nas chamadas "feiras". Junto a isso se some o surgimento da burguesia que, com seu charme discreto, ajudou a convencer o mundo que o modo de produção feudal tinha falhas no campo social, mas sobretudo no econômico.
Capitalismo Comercial, blablabla, Capitalismo Industrial, blablabla, Capitalismo Financeiro.
Hoje, podemos dizer com certeza que o comércio vive seu apogeu. Basta passar alguns minutos em centros comerciais de grandes cidades. Um formigueiro de gente que, a cada segundo, se conhece e se esquece. Mas é portante frisar que a atividade comercial é muito mais do que "dinheiro = mercadoria". Ela esta pautada principalmente na troca de experiência de vida, que contribui para a manuntenção de muitos empirismos que circulam por ai nas feirinhas de bairro.
Seja pelo prazer de ver o consumidor satisfeito, ou seja por puro lucro, o comércio contribui fortemente para um maior intercâmbio cultural.
Algo que parece tão simples. Vender, comprar, usar.
Mas esse simples processo faz com que duas civilizações possam descobrir o melhor que tem entre si e aperfeiçoar aquilo que já tem.
E é esse mesmo simples processo que procura sanar as necessidades do homem contemporâneo. E o faz com proeza.
Outra peculiaridade do comércio é que qualquer um pode vender e comprar algo em qualquer lugar. É possível, hoje em dia, abrir uma mini-empresa, com CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) e tudo, tendo uma quitandinha na feira.
O modo de produção capitalista que vivemos tem lá suas falhas. Do ponto de vista social, é vista por alguns como extremamente desumana e individualista. Mas algo que é inegável é o impulso capitalista dado ao comércio. Da mesma forma que o feudalismo subsidiava a agricultura subexistencial; o capitalismo e seus ideais liberais burgueses são a coluna de sustentação da indústria e, por consequência, do comércio.
Ah, mas o capitalismo está longe de ruir como o feudalismo. Pelo menos não enquanto tivermos seres humanos no poder.
Então, a não ser que o método envelheça, o comércio continuará. Seja dentro de templo, de shopping, ou no meio da rua mesmo.